Square One World Record Sequentials

  • Rating 12345
Foto: Craig Obrian

Foto: Craig Obrian

Atletas voltam pra casa sem o Recorde, mas com grandes experiências

Em dezembro do ano passado 200 paraquedistas de mais de 20 países se reuniram em Eloy, no Arizona – EUA, eles tentaram algo inédito para o esporte: quebrar o recorde mundial de formação em queda livre com dois pontos sequenciais, duas figuras em um mesmo salto. Uma mega estrutura foi montada em Eloy para cinco dias de tentativas, foram necessários 10 aviões, dezenas de horas de treinamento em solo, mais de 20 saltos. Eles enfrentaram o frio e as vezes o mau tempo, mas o recorde infelizmente não foi alcançado.

Treinamento em solo. Foto: Bogdan Pistea

O time foi selecionado após anos de planejamento, treinamento e preparação, e entre eles estavam 15 brasileiros: Abrahão Duquia Neto, Érika Queiroz, Breno de Assis, Edu Esteves, Márcia Farkouh, César Augusto Fagundes, Marcelo Marapodi, Luiz André Melo, Renato Gordinho, Duda Bibanco, Robert Kluppel, Joca Mansur, Wiviann Vieira e Ziara Abud.

Foto: Ian Makenzis

Os saltos foram organizados pelos capitães do P3 Skydiving Dan BC, Kate Cooper-Jensen e Tony Domenico, atualmente considerados as principais referências no mundo quando se fala em Big Way.

Além de todas as dificuldades que envolvem um salto com 200 pessoas juntas, no terceiro dia do evento os atletas tiveram que enfrentar a pior delas, a perda de dois colegas do grupo. Uma colisão de velames causou a morte de um atleta britânico e um alemão, no mesmo salto um brasileiro se machucou no pouso.

Mesmo abalados com o incidente, os atletas decidiram continuar as tentativas nos dias seguintes, “todos fizeram o seu melhor para lidar com a situação, mas também tivemos problemas climáticos, o que dificultou mais ainda” disse Abrahão Duquia.

O paraquedista Abrahão Duquia Neto, de Novo Hamburgo, Rio Grande do Sul, acumula mais de 1600 saltos e é Recordista Brasileiro de FQL (82way e 102way), há seis anos participa de eventos de Big-Way pelo mundo. Essa foi a primeira vez que ele esteve em um salto tão grande, com 200 paraquedistas, e para chegar a esse nível precisou de muito treinamento e disciplina, “a responsabilidade é enorme. Não temos espaços para erros” disse.

Abrahão Duquia Neto. Foto: Bogdan Pistea

Para Abrahão, a maior dificuldade de um salto de Big Way é manter a disciplina,  “principalmente a disciplina de voo, que significa voar na sua posição sem transmitir nenhuma tensão ao grip. Isto provocou diversas oscilações nas peças, o que dificultou muito o nosso trabalho” acrescenta.

Érika Queiroz, uma das capitãs do Brazilian Dream Team também participou dos principais recordes mundiais nos últimos anos, e para ela o Square One World Record foi mais uma grande experiência. “Foi um evento muito difícil psicológica e fisicamente, mas fortaleceu os atletas para próximas tentativas”, disse.

Eles voltaram pra casa com várias lições, para Abrahão a principal delas foi manter o foco 100% durante o salto, “navegação é uma das principais causas de fatalidades no nosso esporte, 200-way é muito legal, mas temos que ter consciência de que o salto só acaba quando pousamos”

O video oficial do evento foi lançado há duas semanas pelo cinegrafista Martial Ferré, no video de quase 40 minutos ele não destaca apenas a parte técnica do evento, mas também a beleza e intensidade do esporte. “Espero que esse filme possa ser visto pelas famílias dos nossos dois amigos Keiron e Bernt, e que possa ajudá-los a entender a paixão que eles dois tinham pelo esporte”, disse Martial Ferré ao divulgar o video, que pode ser visto no link: http://vimeo.com/86458993

Um pouco mais sobre Big Way no Brasil

O Brasil atualmente tem um time de mais de 100 atletas de Big Way, todos os anos eles se reúnem para o Recorde Brasileiro de Formação em Queda Livre, atualmente um 103-way. Eles já estão se preparando este ano, para tentar pela primeira vez o Recorde Sequencial, com dois pontos.

Para participar de recordes nacionais e mundiais a maioria dos atletas experientes do Brasil se prepara participando de treinamentos como o P3 Big Way Camp em Perris Califórnia, e também de eventos de Big Way em Boituva – São Paulo promovidos pelo CTR.

Para atletas que estão iniciando os treinos de Big Way, os mais experientes recomendam a prática de track e navegação para grandes formações. “Um track controlado é essencial para uma boa separação em grupo. E a navegação nem se fala, se houver outro atleta voando já temos a condição mínima para uma colisão” destaca Abrahão.

 


Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *