Dicas de segurança para paraquedismo (e talvez para a vida também)

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Por Dan BC

Original em inglês: Safety tips for skydive (and maybe life as well)

COMPLACÊNCIA MATA

Você tem que estar sempre um passo à frente do jogo. Você precisa estar pronto. Não descanse nem por um segundo. Nós respondemos corretamente e imediatamente quando antecipamos o problema. Ser surpreendido pela situação deixa seu tempo de reação mais lento.

Quando você fizer o track de separação em um salto espere que tenha outros paraquedistas perto de você. Espere por uma abertura difícil. Espere uma pane. Espere velames vindo na sua direção. Espere que alguém corte sua frente na navegação.

Uma hard pull ou seja, um comando do pilotinho difícil, é um bom exemplo disso. Muitas vezes tenho visto paraquedistas comandando baixo. Quando eu pergunto deles o que aconteceu eles dizem que tiveram dificuldade para encontrar ou para puxar o pilotinho. Mas eles conseguiram na terceira tentativa. Se eles conseguiram na terceira tentativa é porque não foi tão difícil assim. A única diferença é que na terceira vez eles já esperavam que ia ser difícil e levaram a sério a ponto de puxar com atitude. Espere que seja difícil toda vez e seja sério na sua primeira tentativa.

Eu nunca ouvi falar de alguém que esteve em uma colisão de velames ter visto o outro velame próximo. Eles não viram o outro vindo porque eles não estavam olhando. E eles não estavam olhando porque eles pensam que isso nunca vai acontecer com eles. Como regra geral nós não separamos mais após a abertura, nós ficamos mais próximos. As pessoas não abrem e voam para longe. Na maioria das vezes nós estamos todos mirando para a mesma área de pouso. Depois de abrir nós ficamos cada vez mais perto uns dos outros. Velames estão convergindo. Se você não está olhando você está procurando uma colisão de velames.

Eu não estou pedindo para que todo mundo navegue assustado. Apenas acorde. Esteja atento, esteja pronto, esteja em controle, não seja uma vítima. Se você fizer isso você vai evoluir até se tornar um paraquedista velhinho. E não vejo a hora de festejar com todos os meus amigos paraquedistas velhinhos por muitos anos.

ACORDE E SALTE COM SEGURANÇA

Eu tenho visto e ouvido muitas histórias de paraquedistas que levaram muito tempo para decidir o que fazer com o velame que não está funcionando perfeitamente após a abertura. Paraquedistas pousando velames que eles deveriam ter desconectado ou sendo indecisos e levando muito tempo para desconectar, algumas vezes com resultado fatal. Nós frequentemente ouvimos pessoas dizendo, “Eu pensei que conseguiria resolver isso”,  “Eu não tinha certeza se estava bom ou não.” Se você tiver que perguntar pra você mesmo se o velame está bom ou não, então não está bom!

Lembre de quando você era um aluno. A queda-livre era rápida e barulhenta, seu coração batia forte, adrenalina correndo pelas suas veias. Você jogava seu pilotinho e gentilmente desacelerava enquanto seu paraquedas se abria. Pendurado embaixo do seu paraquedas estava tudo calmo e sereno, o oposto da queda-livre. Ao olhar pra cima e ver seu velame era quase como se ele estivesse olhando para você e dizendo “Está tudo bem, eu peguei você”. Você sentia como se estivesse se apaixonando pelo seu velame, seu melhor amigo.

Então, se depois de comandar você olhar para o seu velame e não estiver se apaixonando, DESCONECTE!

Fique esperto, se mantenha seguro lá em cima.

ESCOLHENDO O VELAME CERTO

Muita gente tem perguntado minha opinião sobre a escolha do velame certo. A melhor resposta que eu tenho é escolha um velame que você consiga pousar com segurança e suavidade em todas as condições. Eu salto com um PD Katana 107 por muitas razões. 1) Ele abre suavemente todas as vezes e eu me recuso a saltar com qualquer outro que talvez abra rápido. Quando eu tinha um Stiletto 120 eu coloquei linhas Dacron nele para garantir aberturas suaves. Você não consegue fazer muitos saltos tendo aberturas difíceis. 2) Eu posso pousá-lo suavemente em qualquer situação, em qualquer lugar sob qualquer condições. Eu peso 74kg e posso facilmente pousar reto na direção do vento, com vento de través ou de cauda. Eu posso pousá-lo a 5000 pés ou no nível do mar. Eu posso desviar de dust devils ou outros velames e ainda assim pousar facilmente. Eu posso pousar fora da área e me esquivar numa área estreita se eu precisar.

Eu vejo muitos paraquedistas escolhendo o velame que só são adequados para eles na situação perfeita. Essa situação perfeita não acontece com tanta frequência. Escolha o velame que você tenha controle não importa a situação.

Outra coisa, nunca esqueça como fazer um bom rolamento. Paraquedistas com frequência quebram a perna quando tentam ficar de pé quando eles estão visivelmente vindo muito rápido. Se a um ou dois metros do chão você perceber que vai pousar mais duro que o normal, junte os pés e joelhos e esteja pronto para rolar. Um bom rolamento pode salvar pernas quebradas e tornozelos torcidos.

PARAQUEDISTAS EXPERIENTES DEVEM USAR RSLs?

Muito se tem discutido recentemente se paraquedistas experientes devem usar RSLs. Essa discussão na verdade já acontece por muitos anos. Através da minha carreira no paraquedismo eu escolhi não usar um RSL. A lógica para isso era: se eu tiver uma desconexão e só tiver um paraquedas restante eu quero estar o mais estável possível antes de abrir o meu reserva. Por mais de 25 desconexões eu fiz exatamente isso e funcionou muito bem. Eu estava abaixo do meu reserva na altura correta.

Há alguns anos atrás eu vi uma boa amiga, paraquedista muito competente com mais de 2000 saltos, tentar desfazer uma pane, que fazia o velame dela girar, até os 500 pés e só então desconectou. Não deu tempo do reserva abrir. Eu pensei muito sobre isso. Me ocorreu que várias vezes durante esses anos eu acabei em queda-livre abaixo do planejado. Felizmente não foram ocasiões em que tive uma pane, mas facilmente poderia ser.

É a combinação de problemas que coloca você em perigo. Você sabe, aquelas vezes em que você separa e comanda abaixo do combinado. Ai você tem um pilotinho difícil de sair, então hesita, ai se lastima, em seguida uma pane, então leva um segundo extra para levar sua mão ao punho de desconexão, agora você está a 1000 pés ou ainda mais baixo e desconecta, então você cai por mais alguns segundos para ficar estável e comanda o reserva.

Eu decidi que esse tipo de cenário era mais provável e arriscado, do que usando um RSL e desconectando de uma pane de giro isso poderia impedir meu reserva de abrir. O RSL abre o reserva tão rápido que isso não deveria ser um problema. E com um Skyhook, que é ainda melhor que o RSL, você não tem tempo sequer de ficar instável antes de seu reserva abrir. Eu tive três desconexões atualmente com o Skyhook e parece uma transferência de velames. Eu não senti, nem mesmo por um segundo que estava em queda-livre novamente.

Depois de olhar para todos os diferentes cenários eu cheguei a conclusão que ter um paraquedas sobre sua cabeça o mais rápido possível é a coisa mais importante a fazer.

Todo mundo precisa tomar essa decisão por si mesmo. Mas se um atleta experiente deve usar um Skyhook e/ou um RSL, eu absolutamente penso que os benefícios superam os riscos. Meus dois equipamentos têm skyhooks e RSL. E eu sou um paraquedista bastante experiente.

O americano Dan BDan BCC é membro fundador do time de 4-way Arizona AirSpeed, várias vezes campeão mundial, é um dos Coachs do P3 Skydiving e gerente da área de saltos Perris Skydive na California, também é autor do livro Above All Else

Leia mais sobre a filosofia de vida de Dan BC aqui


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