Wing Load e Curvas

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Original em inglês: Wing Loading and Turns

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Imagem: Kuri

Por: John LeBlanc

Essa é a segunda metade do Artigo de John LeBlanc sobre wing load e alta performance. Semana passada nós vimos o quanto o wing load afeta o seu velame e o seu esporte (aqui). Na segunda parte desse artigo vamos considerar a perda de altitude com um alto wing load, e como você pode administrar isso para melhorar a segurança…

Wing load e curvas

O alto wing load também vai mudar as características de vôo das curvas. A relação aerodinâmica entre o ângulo de inclinação lateral, o raio da curva e a proporção fazem as curvas diferentes em um alto wing load. A má compreensão disso leva com frequência a acidentes com curvas baixas muito comuns nos dias de hoje, mesmo com pessoas bem conservadoras que nunca querem fazer uma curva de ataque.

É óbvio que conforme os velames ficam menores, as curvas ficam mais rápidas. Bem, sim e não. Para entender, pense em duas motocicletas indo para a mesma curva, mas em velocidades diferentes. A moto mais rápida deve se inclinar muito mais para fazer a curva, enquanto a mais lenta vai inclinar bem menos.

Para curvas que tem um raio constante, é preciso mais ângulo de inclinação lateral conforme a velocidade aumenta.

Se a moto mais lenta então decidir fazer a mesma inclinação da moto mais rápida, ele sairia da pista pela parte interna e faria uma curva bem fechada. A moto lenta faria um circulo completo bem mais rápido que a moto mais rápida.

Para curvas que tem um ângulo de inclinação lateral constante, quanto menor a velocidade, mais apertada e rápida será a curva.

Essas duas observações também são verdadeiras para aviões e paraquedas.Eo5zFLtaTLSIVubW2T93fA

Para um ângulo de inclinação lateral específico, o paraquedas mais lento vai fazer uma curva de 360° mais rapidamente, e em uma menor área. Então, de alguma forma, o velame com o menor wing load tem uma melhor performance em curvas, principalmente se você começar a perceber em quanto espaço uma certa curva ocupa.

Nessa descrição, nós estamos nos referindo a uma curva onde o trajeto de vôo seja de alguma forma plano, e a curva seja feita inclinada ao invés de uma espiral vertical direto até o chão. Ao fazer uma curva inclinada, uma tentativa de curvar mais rápido resulta em um mergulho espiral com um aumento rápido da descida. Quando você está voando um velame menor, essas espirais giram bem mais rápido. Conforme o wing load aumenta, os espirais ficam mais rápidos. Já que maiores velocidades exigem um maior ângulo de inclinação lateral para uma determinada curva, a perda de altitude é muito mais rápida em altos wing loads.

Perda de Altitude

Um velame grande e lento de estudante pode dobrar sua velocidade de descida em uma espiral. Já um velame moderno voando com um alto wing load, ou seja, já com uma velocidade de descida rápida, pode aumentar em quatro vezes essa descida com a mesma curva! Em extremos wing loads, o aumento na taxa de descida pode ser astronômico, uma curva de 180 graus por exemplo, pode consumir até 500 pés de altitude!

Planejamento

Subestimar a quantidade de altitude que você perde em uma curva pode facilmente colocar você em problemas quando você está voando com um wing load mais alto do que deveria. Planejar seu padrão de navegação e pouso se torna ainda mais desafiador. Muitos atletas conservadores são pegos de surpresa quando experimentam um velame menor. O atleta típico experiente e ainda conservador voando seu próprio velame se acostuma a julgar quanto tempo e altitude ele precisa para voar um padrão convencional, ponto A a favor do vento, ponto B e final C, onde a curva final é moderada.

Quando esse atleta conservador experimenta um velame menor, as curvas gastam mais altitude do que ele esperava. Uma vez que as curvas são estreitas, ele curva um pouco mais acentuado. Enquanto ele faz isso, a trajetória de vôo se torna muito íngreme, lembrando um mergulho em espiral, comendo altitude muito rápido. Depois de uma curva como essa contra a favor do vento, e outra para virar para a base, o atleta talvez tenha uma altitude insuficiente para completar sua última curva para a final. Mas muitas vezes o excesso de velocidade imposto as suas habilidades de perceptivas, lança seu julgamento um pouco atrás, e ele se vê fazendo uma curva baixa indesejada. Sim, sua primeira curva de ataque, em um velame mais rápido que ele jamais havia saltado – e pouco familiar também!

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Como administrar essa perda de altitude rápida durante as curvas com alto wing load?

  1. Diminua de velame progressivamente

Faça apenas pequenas mudanças de tamanho de cada vez. Se você não tem certeza, espere!

  1. Planeje a frente

Entre na seu ponto A de navegação bem mais alto, e voe um padrão mais aberto com curvas radiais. Use os freios para ajustar a trajetória de vôo e a descida.

  1. Aprenda a fazer curvas planas

Realmente experimente e aprenda tudo sobre voar e curvar freado (planando). Usando curvas planas no padrão de navegação, você pode deixar bastante altitude para uma curva segura para a final. Se você fizer o oposto (curvas inclinadas mais cedo e uma curva freada no último segundo) vai demonstrar habilidades pobres de planejamento e falta de julgamento. E isso é também de alguma forma suicida.

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Imagem: Kuri

Pousos em Swoop

Acidentes acontecem quando pousos de Swoop são feitos incorretamente. O maior risco desse tipo de pouso não pode ser ignorado. Eu não quero encorajar pessoas que não tem interesse a experimentar Swoops, mas algumas dicas de segurança podem ajudar aqueles que já estão envolvidos com a modalidade:

  1. Avalie o tráfego

Não existe motivo real para um pouso com Swoop – a não ser por pura diversão. Isso não tira a responsabilidade de voar de uma maneira segura para todos os atletas na mesma decolagem. Nem mesmo pense em fazer Swoop se o tráfego estiver um pouco intenso. Não chega nem perto de ser seguro só porque você não colidiu com ninguém. Se seus pousos elaborados assustarem um novato ou causar preocupação em outras pessoas por causa das suas ações, então seus pousos bonitos se tornam perigosos e rudes.

  1. Melhore a eficiênciaoK4op9TtQHS3gBZYSaDZow

Um Swoop eficiente é feito com uma aproximação suave, mas conservadora. Você vai deslizar mais longe que o cara fazendo a curva radical com o controle dos movimentos grosseiros. Se você fizer as curvas de aproximação bem mais altas e suaves, com menos ângulo de inclinação lateral, você ficará surpreso com o quanto de velocidade você pode conseguir usando essa técnica.

Se você pensa que uma curva de aproximação é necessária para atingir velocidade suficiente para bons pousos, você provavelmente precisa de treino para aperfeiçoar sua técnica. A aproximação para um pouso convencional deveria funcionar bem, mesmo com altos wing loads. Mas se você insiste em experimentar curvas inclinadas para aproximar, só faça isso em um velame que você esteja bem familiarizado, não em um velame novo que você tem apenas 100 ou 200 saltos. Pode levar milhares de saltos em um único velame para se tornar consistente em aproximações com curvas. Os registros de acidentes estão cheios de gente que parecia ser consistente até aquele último salto.

  1. Construa altitude em excesso

Quando você toma a decisão de fazer uma curva de aproximação, faça isso com altitude em excesso. Isso vai lhe dar mais tempo para corrigir erros de julgamento, ou mesmo para mudar o plano completamente. Por exemplo, se você começou um padrão muito alto e percebe antecipadamente um tráfego em direção a sua curva, você deve ter a velocidade, altitude e habilidades para rapidamente abortar a aproximação com mergulho e mudar rapidamente ganhar altitude, mesmo que continue a curva, se necessário. Faça uma aproximação freada e uma final em linha reta, então vá até o outro atleta e peça desculpas pela sua falta de atenção para o tráfego. Nada disso é possível em uma curva de ataque baixa. Se você não pode visualizar os métodos necessários para esse grupo de manobras, então nem pense em fazer uma curva de aproximação – especialmente quando eu estiver no ar com você.

Aprenda o quanto de altitude pode ser perdida em uma curva enquanto estiver bem alto, mas apenas use esse método como manobra de emergência para abortar uma curva normal que parece estar muito perto de alguém. Nunca tente intencionalmente uma curva muito perto do chão. Seu julgamento pode falhar e você pode atingir o chão. Você nunca imaginou que pode errar o julgamento? Então como você chegou a posição para ser preciso essa curva baixa?

  1. Não arrisque

Se você se encontrar em uma situação que seja preciso puxar rápido os batoques para não bater no chão (cavando para fora), claro, faça isso. Tente manter o velame no mesmo nível, durante todo o planeio até tocar no chão, até que todo o movimento pare. Não desista!! Então, assumindo que você tenha sobrevivido, levante (se você puder) e chute sua própria bunda por exibir um planejamento e julgamento tão pobres. É importante entender que uma curva baixa intencional não tem valor para pousos de Swoop. Elas não permitem altitude suficiente:

–       para se salvar, caso você cometa um erro de julgamento

–       para freios mais eficientes e suaves

–       para atingir a velocidade adequada

  1. Se mantenha alerta

Colisões de velame são mais frequentes hoje em dia do que antigamente. Enquanto os atletas continuam comprando velames cada vez menores e mais rápidos, é o trabalho de todos se manter alerta. Se atletas experientes, especialmente Swoopers, estão preocupados sobre sua aproximação e falarem com você, escute bem! Cuidadosamente avalie o que eles tem a dizer, e determine quais informações são úteis ou perigosas. Sempre existe um pouco mais para aprender – não importa quem você seja ou quantos saltos você tenha.

  1. Seja ponderado

Nunca subestime o quanto suas decisões de aproximação afetam o tráfego mesmo que os outros estejam longe. Não seja egoísta ou estúpido. Se alguém parecer chateado por causa da sua aproximação, escute e pense cuidadosamente sobre o que ele disse.

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O Futuro

Os avanços no design dos velames tem criado melhores qualidades de pouso, permitindo aos atletas ter a experiência de pousos em alta velocidade e performance. Infelizmente, suas habilidades de tomar decisões não aceleram só porque o velame voa e desce mais rápido. Seu trabalho sob o velame aumentou quer você voe um velame rápido ou não. Os registros de acidentes mostram que também estão crescendo as dores.

Margem para Erros

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Vitor Benassi Imagem: Max Haim

Nosso corpo é frágil. Já que nós ocasionalmente cometemos erros, devemos ser bem cuidadosos ao escolher o tamanho e o modelo do nosso velame, para que ele nos permita uma razoável margem de erro, consistente com o tipo de vôo e a experiência de cada pessoa. Nós também devemos escolher um estilo de vôo que permita a mesma margem de erro. Nós devemos perceber que quando o wing load se torna extremo, as opções para um vôo seguro em meio a um grande tráfego pode se tornar tão limitado que vai restringir a experiência de vôo a um ponto que você não vai mais aproveitar. Um velame maior vai permitir que você experimente técnicas mais agressivas e vai se divertir mais, liberdade e segurança. Enquanto mais e mais atletas se tornam altamente habilidosos e mais atenciosos uns com os outros no ar, nosso esporte vai se tornar mais seguro e mais agradável.

O resultado disso seria um declínio na alta taxa de acidentes envolvendo pilotagem de velames. Nossas maravilhosas máquinas de voar tem sido feitas não só por extensivas pesquisas sobre aerodinâmica, mas também pela geral melhoria nas habilidades de vôo. Desenvolver um paraquedas e colocá-lo no mercado depende tanto das habilidades e capacidade do público alvo como das pesquisas do fabricante. Fabricantes de paraquedas se sentem apreensivos sabendo que algumas pessoas vão voar seus novos produtos de forma imprópria. Isso vai atrasar a introdução de paraquedas novos, totalmente diferentes com capacidades inimagináveis. No meu lugar de trabalho, esses paraquedas do futuro as vezes parecem que estão a décadas de distância, mas quem sabe? Se todos nós avançarmos com mais cautela na pilotagem, com habilidades avançadas de controle de velame e melhores julgamentos, talvez esses “super” velames apareçam antes que a gente imagina.

Esse artigo é a segunda parte de um texto publicado na Revista Skydiving Magazine há 20 anos, em agosto de 1995. John LeBlanc reeditou o conteúdo original. Parte 1 do Artigo

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John LeBlanc é Vice-Presidente da Performance Designs e está na empresa desde 1984, ajudando no crescimento da PD desde que era operada por duas pessoas até ser uma empresa que emprega 300. Ele é o designer dos velames: Stiletto, Spectre, Sabre 2, Velocity, Katana, Storm e Peregrine. Ele é conhecido pelos seminários sobre técnica de pilotagem e segurança. John é Bacharel em Ciências Aeronáuticas, tem mais de 6 mil saltos em 36 anos, é piloto commercial, instrumental e multi-motor.


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