Tenha vida longa no Paraquedismo

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Por: Rafael Sampaio

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Gostei muito quando me apresentaram a ideia de escrever um texto, um artigo no qual eu pudesse externar minha impressão sobre o esporte, baseada em minha experiência como atleta e Instrutor AFF.

Não me julgo um atleta “experiente”… Julgo-me tão somente um atleta ávido por conhecimentos e técnicas que viabilizem uma melhor performance e, acima de tudo, maximizem minha SEGURANÇA.

SEGURANÇA!  SEGURANÇA!  SEGURANÇA!

Aliás, há alguns anos aprendi uma frase que achei fantástica. “Na vida, quanto mais se vive, mais se aprende.  Na aviação (creio também que no paraquedismo), quanto mais se aprende, mais se vive”.

Conheci tantos instrutores brilhantes, como Pedro San, Ricardo Pettená, Gordinho, Craig Girard, Kirk Verner, Eliana Rodriguez, Dan BC, Kate Cooper, Brian German (este último somente em seu livro). Que prazer, inenarrável ouvir Craig Girard explicando, “transbordando” teoria.  Sua paixão e paciência para transmitir conhecimento.

Brian German, em seu livro, comenta que há uma parcela de atletas que não querem conhecimento; que não querem entender os riscos. Talvez seja melhor a ignorância, que não leva a entender todos os riscos inerentes. Falando de maneira bem genérica, pois temos atletas bons e estudiosos, paira no ar uma falta de vontade dos paraquedistas brasileiros de obter conhecimento.

Se fizermos algumas perguntas básicas a esses atletas, talvez não consigamos obter sequer 10% das respostas.  Perguntas como:

– Modelos diferentes de velames de mesmo tamanho podem se comportar de forma diferente? Eles voam aproximadamente à mesma velocidade ?

– Carga Alar é a maior determinante da velocidade? Um Stiletto 190 é mais veloz que um Sabre 190, ou mesmo um PD 190?

– Diferenças de performance de velame podem influenciar a impressão de velocidade de uma pessoa? Haverá diferença em outros aspectos de performance  (razão de curva, ângulo de planeio, etc.)?

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Foto: Ale Gesta

– Qual a influência do Centro de Massa no vôo dos diferentes velames?

– Considerando um mesmo tipo de velame, dois atletas com a mesma Carga Alar, um deles com um 170 pés quadrados e o outro com um 135, terão a mesma performance e “manobrabilidade”?

– A estatura e o peso do atleta influi em suas percepções?

– A experiência individual de um atleta (quadro de referências individuais, criado através de suas experiências próprias e únicas) influencia em sua avaliação da velocidade de um velame?

Se você não soube responder a maioria das questões, procure estudar mais antes de pensar em trocar de velame. Os atletas querem “Downsize” (diminuir velame) para obter mais velocidade e emoção. Só que os riscos vão se “MAXIMIZANDO”. E o perdão diminuindo.

Certa vez, vi um instrutor perguntando a um de seus alunos de swoop quanto ele (o aluno) acreditava ser capaz de tirar de seu velame (em porcentagem).

Ao mesmo tempo, o instrutor escreveu na areia, atrás de si, o quanto ele mesmo acreditava ser capaz de usufruir de seu velame. Ficou perplexo quando viu que o aluno tinha colocado um número próximo a 80%.  Enquanto ele, instrutor, havia escrito um número menor do que 30%.

Daí, podemos perguntar:

– O instrutor sabia o que estava fazendo e o quanto podia, com segurança, ainda obter de seu velame;

– Os conhecimentos do aluno eram tão restritos que o limitavam a explorar mais o seu velame?  Estaria ele no máximo de “sua capacidade” de “usar aquela asa”?

Já vi atletas dizendo que queriam diminuir o velame porque queriam mais velocidade. Mas antes disso, verifique quanto de conhecimento os “atletas de ponta” e campeões têm.

No afã de, “empiricamente”, obter velocidade e mais emoção os riscos vão se tornando exponenciais.

Fantástico, quando vi Brian German dizer:

KDK

– KK

Know that I Know = Sei que eu sei;

– KDK

Know that I Don’t Know = Sei que eu

não sei;

– DKDK

Don’t Know that I Don’t Know = Não

sei que eu não sei;

Para mim, aquele atleta iniciante, citado logo acima, que disse que tirava de 80% de seu velame, havia parado somente no “KK”. O “KDK” ainda é um desconhecido.  E nem sequer imagina que haja o “DKDK”.

Na Área de Saltos da qual sou instrutor eu oriento atletas em transição para velames 210, 190 e 170, eles têm que assistir a duas aulas de cerca de 50 minutos. Na segunda aula, passamos por uma revisão do aprendizado e, então, prosseguimos para um estágio final, mais específico. Com certeza, eles saberão o que “pedir” para suas asas.

A maioria dos velames têm uma gama enorme de performance para nos oferecer. Eu ensino para os meus alunos que cada performance tem seu tempo e habilidades necessárias para se adquirir e se você não está pronto para pedir certa manobra da sua asa, deve respeitar seus limites.

Conheço histórias de atletas que “pediram” (puseram suas asas) em certas situações e, simplesmente, acabaram com problemas, escoriações e até coisas piores. Sua querida e amada asa não poderá fazer nada por ti se pedires algo que não queira ou não tenha habilidade, altura e/ou tempo para gerenciar.

Então lembre-se, antes diminuir o tamanho do velame pense se está preparado para um PS errado (lançamento fora) e se tem capacidade de pousar sua asa em áreas críticas, com um vento fora do padrão. Pousar (sem conhecimento) um velame em perfeitas condições é uma coisa… Mas se você tiver que obter o máximo de sua asa para “entrar” em uma área alternativa restrita e com um vento de cauda?

Estude, evolua e esteja SEGURO !!!

RafAutor: Rafael Sampaio
“D” – CBPq 43021
1.330 saltos
Ex-Presidente da Federação Amazonense de Paraquedismo
Treinador BBF e Instrutor AFF
Recordista Brasileiro de Big-Way (82-way – 2011) (102-way – 2012) (74-way Sequencial – 2014)
Piloto de avião e helicóptero; Instrutor de Voo; +3.000 hs de voo

2 thoughts on “Tenha vida longa no Paraquedismo

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