Minha primeira temporada treinando 4-way

  • Rating 12345

 

Em Novembro de 2014 eu fiz um camp de 4-way com outros 2 brasileiros e o coach Pedrosan. Eu nunca havia treinado 4-way seriamente, digo, com túnel cedo pela manhã, com saltos durante o dia inteiro, e vários dias seguidos. Foi aí que a “febre do 4-way” me pegou de jeito. Eu achei aquilo sensacional, a vibe do camp, o coaching do nosso amigo Pedro San, os saltos, até as dores musculares de tanto voar no túnel eu curti. Fiz até um vídeo, clica aqui se quiser ver.

"Spartans" time de 4-way criado para o camp com o Pedrosan

“Spartans” time de 4-way criado para o camp com o Pedrosan

Na volta da Skydive Arizona (onde o camp aconteceu), eu só pensava que queria ter um time de 4-way de qualquer jeito. Comecei a conversar com outros amigos paraquedistas mas quem já tentou montar um time sabe como é difícil: você precisa achar outras 3 pessoas que tenham o mesmo tempo, dinheiro e motivação que você tem. Essa última parte é a mais difícil de administrar em qualquer time. Onde queremos chegar? Qual é o nosso objetivo como time? E o objetivo pessoal de cada membro? – Essas são questões que todo time de 4-way no início deve se perguntar e refletir.

Enfim, achei! Na realidade, nos achamos. Em Dezembro de 2015 soubemos de uma competição de indoor skydive no túnel ParacleteXP, na Carolina do Norte. Minha esposa Mariana e eu queríamos muito participar mas precisávamos de outros 2 integrantes. Contactamos nossos amigos brasileiros, mas ninguém quis se comprometer. Foi aí que falamos com 2 Load Organizers que já saltávamos juntos desde que mudamos para a Califórnia e eles toparam. Com muitos mais saltos do que a gente e recém saídos de uma temporada de treino de 4-way, pareceu uma ótima oportunidade para montar um time.

A competição no ParacleteXP foi sensacional! Chegamos lá sem saber o que esperar e nos vimos em uma atmosfera competitiva louca. Gente de várias regiões dos EUA, times de outros países e muita, muita gente assistindo. Tínhamos transmissão ao vivo para telas instaladas no prédio do túnel e para a Internet. Tinha time de Dubai, o Arizona Airspeed estava lá também, além de outros times de ponta. Mas estávamos firmes em nosso objetivo para aquela competição: se divertir e voar juntos como um time.

FlightSP no pódio durante premiação no campeonato de Skydive indoor no Paraclete

FlightSP no pódio durante premiação no campeonato de Skydive indoor no Paraclete

Como nunca tínhamos voados juntos e éramos bastante inexperientes (ao menos metade do time), nos inscrevemos na categoria Rookie e…. ganhamos a medalha de ouro com uma diferença de 1,2 pontos na média para o segundo colocado! Iniciando o time com chave-de-ouro ganhamos o prêmio de 1 hora grátis naquele túnel, no valor de 1.000 dólares.

Voltamos para a Califórnia com a certeza que queríamos voar juntos durante a temporada de 2015. Chegou a parte difícil: decidir um cronograma de treinos, a quantidade de grana que iríamos investir, quem iria nos treinar e quem iria ser nosso câmera. Nos reunimos e tudo foi decidido de forma mais ou menos fácil e sem conflitos: iríamos treinar praticamente nos finais-de-semana, nosso treinador escolhido foi o mais condecorado paraquedista do mundo: Mark Kirkby, nossa câmera foi uma amiga que já estava ensaiando ser câmera e queria aprender a filmar 4-way (sem profit, yay!).

Com outro time de 4-way de Perris durante um dos camps com o coach Mark Kirkby (o de óculos escuro na cabeça)

Com outro time de 4-way de Perris durante um dos camps com o coach Mark Kirkby (o de óculos escuro na cabeça)

Os camps na Skydive Arizona foram essenciais para a integração dos membros do time. Como tínhamos que dirigir por 6 horas e priorizamos irmos juntos em comboio ou somente em um carro, tivemos bastante tempo para conversar sobre várias coisas, e vimos que os 4 se dariam bastante bem.

Mas claro que nem tudo são flores. É normal em um time de 4-way acontecerem conflitos ou frustrações quando o treino começa, principalmente se é a primeira temporada do time. A evolução entre os membros não é uniforme, alguns evoluem mais rápido do que outros, condicionamento físico é diferente entre os membros também. Na realidade, não podemos esquecer que 4-way exige bastante do físico se você quer treinar de forma séria. Lembro da primeira vez que tivemos um treino de túnel com o Mark Kirkby, ele diz: “Vocês tem que saber que treinar 4-way exige de você como atleta, e imaginem só, ser atleta dói.”

Entre Fevereiro de 2015 e Outubro do mesmo ano, meu time fez próximo de 100 saltos treinos e mais de 12 horas de túnel. A estratégia que seguimos foi priorizar o treino de túnel no início da temporada e então focar nos saltos. Fizemos isso pois metade do time nunca havia treinado 4-way e ainda estava aprendendo o pool (as formações). O treino no túnel ajudou muito nisso, também ajudou bastante na postura de vôo e no treino mental.

FlightSP Após o último round no Nationals 2015: Grace, David, Mariana, Anderson e Lori.

FlightSP após o último round no Nationals 2015 em Skydive Arizona: Grace, David, Mariana, Anderson e Lori.

Priorizando o túnel, não restou muito tempo para saltar, e é claro que não dá para treinar as saídas no túnel. Dessa forma ficamos bem limitados nas opções para sair, escolhemos a principal saída sendo H e tínhamos alguns outros randoms e blocos se quiséssemos experimentar também. Na transição do túnel para o salto o maior desafio foi ajustar a noção espacial (já não tínhamos as paredes do túnel para nos guiarmos), e pegar o timing correto da contagem na hora da saída. No resto, o time estava satisfeito com a evolução geral e nos sentimos prontos para participar do campeonato nacional americano, ou de forma abreviada, o Nationals. Isso é assunto para outro post.


Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *